Domingo, Fevereiro 07, 2010
Sexta-feira, Janeiro 29, 2010
Radar fora de horas
Temos e cuidar do mundo apesar de tudo.
(Ou será ao contrário?)
Domingo, Janeiro 24, 2010
Quero aprender a deixar de escrever em itálico
A vida dos outros não me satisfaz.
Tenho a alma espigada.
Domingo, Janeiro 17, 2010
Terça-feira, Dezembro 29, 2009
Domingo, Dezembro 13, 2009
Aqueles queridos versos
A time of innocence, a time of confidences
Long ago, it must be, I have a photograph
Preserve your memories, they're all that's left you
Terça-feira, Outubro 13, 2009
Rádio Zero cria Radio Futura para o Festival Future Places
A programação conta com uma série de programas especiais, seleccionados após concurso internacional, englobando programas pré-gravados e em directo, e trazendo produções de vários pontos do mundo: Nova Zelândia, Macedónia, Berlim, Japão e Estados Unidos da América.
Serão também emitidos vários programas em directo a partir do Porto, quer como intervenções sonoras na cidade, quer em concertos especiais para o Radio Futura ou os concertos do Festival Future Places. Serão 4 dias de emissão no total, desde as 9 horas de quarta-feira à meia-noite de sábado.
A Radio Futura é uma proposta de um futuro possível para a rádio, constituída por programas de autor, experimentalismo, concertos e uma aposta no dinamismo das culturas locais. Insere-se no Festival Future Places, dedicado aos Meios Digitais e Culturas Locais e organizado pela Universidade do Porto com a Universidade do Texas, ao abrigo do programa Austin-Portugal.
A Rádio Zero é um meio criativo que privilegia o livre espírito e a experimentação cultural, sendo composta unicamente por voluntários. Está sediada no Instituto Superior Técnico e emite 24/7 na Internet, orgulhando-se de ser neste momento a rádio do país com mais programas de autor.
Links associados:
http://www.radiozero.pt
http://www.futureplaces.org
http://radiofuturaporto.wordpress.com/
Queria estar no Porto, pá!
Sexta-feira, Outubro 09, 2009
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Domingo, Setembro 27, 2009
The lost art of missing something
It works both ways.
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Chema Madoz
- Quer dizer que estás um bocado maluco.
Domingo, Abril 12, 2009
O regresso às origens - 7 meses depois.
«Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.
Apagar tudo do quadro de um dia para o outro, ser novo com cada nova madrugada, numa revirgindade perpétua da emoção - isto, e só isto, vale a pena ser ou ter, para ser ou ter o que imperfeitamente somos.
Esta madrugada é a primeira do mundo. (...) Amanhã o que for será outra coisa, e o que eu vir será visto por olhos recompostos, cheios de uma nova visão.
(...) e há saudades desconhecidas na paisagem.»
Quinta-feira, Dezembro 25, 2008
Espírito anatalício
Sábado, Dezembro 20, 2008
Em mono.
(E a inconveniência dos clichés.)
A irrealidade real de estar de volta. A consciência de que não é de vez.
As palavras opacas. O pesar de escrever. As frases monossilábicas. Monoemocionais.
Monossentimento.
*
Estar de volta. De volta ao mesmo. É o mesmo. O Mesmo.
As pessoas continuam aqui, vivem devagar. Não há vertigens, antes a lucidez da continuidade e a abstracção do quotidiano. As formas mantém-se, os gestos perduram, e as palavras são as mesmas da partida. As mesmas. Iguais.
Conforto ou ansiedade?
De qualquer forma, é impossível partir sem ficar.
Sábado, Outubro 11, 2008
Seis meses depois...

Terça-feira, Abril 22, 2008
Terça-feira, Março 25, 2008
Sábado, Março 22, 2008
Domingo, Março 09, 2008
Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008
Domingo, Fevereiro 03, 2008
Pensativo, o senhor
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,
Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,
No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.»
José Saramago
Quarta-feira, Janeiro 23, 2008
Sábado, Janeiro 05, 2008
Eternal Sunshine of the Spotless Mind
How happy is the blameless vestal's lot!
The world forgetting, by the world forgot.
Eternal sunshine of the spotless mind!
Each pray'r accepted, and each wish resign'd
Eloisa to Abelard, Alexander Pope
Sexta-feira, Dezembro 21, 2007
Segunda-feira, Dezembro 17, 2007
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Quarta-feira, Dezembro 12, 2007
Dói-me o peito.
O vento são lâminas que te cortam a respiração, refugias-te na lã do casaco e das luvas pretas. A neblina percorre-te o corpo e as possibilidades são demasiadas, ilimitadas; uma esquina, uma loja, um banco, um olhar. Quantos metros até ao descanso? Exaustão de formas, exaustão de procuras, olhos cansados. Fadiga. Excesso. Pleonasmo. Círculos imperfeitos na sua origem, quantas demandas, quantos pedidos? Palavras perdidas no horizonte. Será que chegam ao teu? Quantos metros até ti? Quantos passos e quantas esquinas? Perco-te em mais um dia de quase vida. Quantos quase cruzares? Quantos quase encontros? Chove em mim e não sinto a água que escorre dos carros, dos prédios e das árvores. Chove em mim e não sinto sequer o espirro que me foge. Chove em mim e esqueço-me de te procurar. Perco-me.
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
A família
As crianças haviam de ser separadas dos pais desde a mais tenra idade. Os próprios pais haviam de ser separados um do outro desde a mínima ternura. Só assim é que o amor poderia crescer e a família continuar.
Há algo de promíscuo na maneira como as famílias vivem. As pessoas vivem umas em cima das outras. São obrigadas a ver o mesmo canal de televisão, a comer o mesmo arroz de polvo, a ouvir as mesmas discussões, a ver os mesmos roupões e até a cheirar o mesmo chulé dos mesmos chinelos anos 40 do avô.
É pouco saudável. Não admira que toda a gente queira bater a asa à primeira oportunidade. À ganância. Para cair noutro ninho, com outro marido e outros filhinhos, mas ainda pior. É por estas e por outras que as famílias se separam cada vez mais - porque não podem viver juntas.
Tenho para mim que o homem, como a mulher, não nasceu para viver em grupo. Uma casa de banho, por exemplo, jamais se deveria partilhar. Não dá jeito. É embaraçoso. Faz prisão de ventre. Defecar é um direito básico, a cujas sequelas atmosféricas ninguém deveria estar sujeito. Sobretudo em casas de banho interiores.
Se se quer conservar a família, é preciso mantê-la afastada. Mesmo contra a vontade. A separação cria saudade. A distância facilita o respeito. Marido e mulher deveriam ser obrigados a convidar-se diariamente para jantar. As refeições obrigatórias sabem sempre mal. O convívio forçado à mesa - "Passa a hortaliça, não tires macacos do nariz" - não é uma prova de amor, é um refeitório de penitenciários.
A partir dos 6 ou 7 anos, as crianças necessitam de uma casinha própria, onde o acesso de adultos esteja vedado, excepto em casos de incêndio, varíola, consumo comprovado de vodka, et caetera. Em suma, as crianças precisam de um apartamento separado, onde se possa escrever nas paredes, fazer barulho, torturar animais de estimação, disparar pressões de ar e tudo o mais. A família ideal é um complexo habitacional com, três chaves. Digamos um 2.º andar Esquerdo, Frente e Direito. No Esquerdo mora a Mãe. No Frente moram os filhos e a criada. No Direito mora o Pai. Para efeitos, de controlo, todos têm a chave uns dos outros, mas só para casos de emergência, porque são todos obrigados a tocar à campainha antes de entrar. Excepto, em casos urgentes de carência de carinho ("Ó Pai, está uma bruxa atrás das cortinas") ou de.ciúme ("Maria José, Maria José -com quem é que estás a falar?")
Cada apartamento pode ter, apenas uma assoalhada. Mais vale viver em três T1’s separados na Reboleira do que tudo a monte numa enorme casa de família no Estoril. As pessoas precisam de estar sozinhas, de curtirem e curarem as suas neuras na maior privacidade, de ouvir as músicas de que gostam sem chatear os outros, de se escaparem, de se fazerem caras e rogadas, de receber as pessoas de quem mais ninguém na família gosta.
Só separada é que a família pode sobreviver. Contígua mas não comunitária. Adjacente mas não a jazente. Se um casal for impelido, por razões habitacionais, a tocar à porta, a levar flores, a convidar para jantar, a fazer a corte para poderem dormir os dois juntos, o amor pode durar muitíssimo mais. Uma família que tenha três moradas é feliz. Pode escrever cartas, pode trocar postais.
O horror da família é a proximidade. É horrível quando os pais ouvem os filhos a fazer concursos de puns, quando os filhos ouvem os pais a gemer e o colchão a guinchar, os gritos de "Não! Não! Sim !" e depois o inevitável chapinhar do bidé. É indecente quando a mulher é obrigada a dormir ao lado de quem quis ainda há pouco esfaquear e que ainda por cima está a ressonar que nem um porco. Cada qual com a sua banda sonora - eis o lema familiar do futuro. O hino quotidiano das famílias portuguesas, que consiste na audição comunitária do barulho do autoclismo não é, nem nunca será, um cimento de solidariedade. Para uma família ser feliz, é necessário haver sedução. Os filhos têm de ser charmosos para encantar os pais, os pais têm de se esforçar para educarem convincentemente os filhos. E marido e mulher, caso queiram permanecer juntos, têm de passar a vida inteira a engatar-se. O mal da família é a facilidade. É pensar que aquele amor já é um assunto arrumado.
O segredo é conviver em vez de coabitar. A família feliz constitui-se por vizinhos apaixonados, por condóminos de sangue, por um poligrupo sentimental. As pessoas só estão juntas quando querem estar. Só partilham o que querem partilhar. Passam a vida a entreconvidar-se. Os pais aliciam o filho: "Ouve lá - se nós te comprarmos uma Harley Davidson, não queres vir até ao Jardim Zoológico connosco?" Os filhos dão a volta aos progenitores: "Ó Pai, o vídeo está avariado, conta-nos uma história." O marido alicia a mulher: "Vá lá, Maria José - fica comigo hoje à noite. Tenho caviar e champagne no frigorífico, comprei o compacto do primeiro LP dos Smiths e a empregada mudou hoje os lençóis... e juro que amanhã de manhã eu também me levanto cedo e vou contigo ao oftalmologista..."
Uma família que é obrigada a convencer-se, a seduzir-se, a respeitar-se mutuamente é uma família que pode durar para sempre. Família maçada acaba despedaçada. O mal da família é um problema de má-criação e de falta de respeito. Os familiares mostram-se incapazes de viver com civilidade, gritam, insultam-se, abusam do seu poder.
Se um miúdo, quando leva um estalo, puder fechar-se uma semana no seu apartamento a ouvir heavy metal a altos berros; se uma mulher, quando o marido a chatear, puder puxar da agenda de solteira e passar a resto do dia a fazer telefonemas a ex-namorados; se um marido, maltratado pela mulher, tiver uma sala onde possa receber os amigos, para jogar à lerpa, beber água-pé e visionar videocassetes da Cicciolina, o conflito desagudiza-se naturalmente.
É uma questão puramente arquitectónica. Mais tarde ou mais cedo, como é regra do amor, as saudades superam os ressentimentos e as campainhas recomeçam a tinir, e os "desculpa lá" recomeçam a ressoar. As pazes fazem-se de livre vontade. Os beijinhos dão-se de bom grado. A família reúne-se, no verdadeiro sentido da palavra. E reina a concórdia.
Na versão actual, exceptuando as famílias que vivem em grandes mansões com tantas alas e governantas que os membros só se vêem a hora de jantar, a família portuguesa é um convite à promiscuidade. Os pais reprimem os filhos, querem sempre ver o canal errado, insistem em comer carapaus grelhados, obcecam-se com a conta da luz, não adormecem até chegarem as crianças e por isso dormem pouco e por isso contraem doenças nervosas e por isso culpam os filhos. Os filhos, por sua vez, são indiferentes ao amor dos pais, ingratos, insolentes, intratáveis, gastadores inveterados e, ainda por cima, profundamente infelizes.
Nas situações mais extremas de proximidade familiar, ou seja nas barracas, os homens batem nas mulheres e acordam as crianças, os avós atam-se aos vãos das portas, os pais violam as filhas, os irmãos disparam caçadeiras contra os pais, os cunhados telefonam para O Crime. E tudo durante a novela, enquanto o cheiro dos rissóis se vai entranhando no terilene dos lençóis. A família é uma instituição demasiado preciosa para se deixar destruir pela coabitação obrigatória, pela prepotência paterna e pela falta quase absoluta de privacidade. O amor é demasiado raro e difícil para se estar a esbanjar na rotina quotidiana do concubinato. É preciso salvar a família da excessiva familiaridade. A familiaridade, dizem os ingleses, gera o desprezo. O desprezo é fatal. A ansiedade dos filhos por abandonar a tirania do lar paterno é tão grande que os atira para a miséria de constituir novas famílias em quase tudo semelhantes àquela que deixaram. É um círculo vicioso.
É um vício circular. Numa concepção anarco-conservadora, que visasse proteger a liberdade dos familiares com vista à perpetuação da família, a felicidade seria uma função simples de poder pagar três rendas de casa. Ou de transformar cada assoalhada num apartamento, ou de desdobrar cada T3 em 3 T1's cada um com a sua muralha; nem que fosse de contraplacado, cada um com a sua chave. Em última análise, quando não houvesse dinheiro para isso, seria preferível misturar famílias, trocando camas de casa para casa, de modo a separar os casais e os respectivos filhos, num regime de holiday home.
A família é uma instituição que corre perigo. Com razão. É uma instituição insuportável. É uma mini-Mafia, com abraços e facadas, lágrimas e jantaradas, com a desvantagem de ser não-lucrativa. É uma pandilha permanentemente com os azeites e os óleos de Fula. É um pandemónio fascistóide. É uma Cosa Nostra que preferíamos que fosse Dotra pessoa qualquer.
É preciso avançar para a família do futuro: para as cooperativas sanguíneas, onde cada um tivesse o seu cantinho, onde as crianças se considerassem adultas aos 12 anos, os adultos recuperassem a irresponsabilidade da adolescência aos 35 anos e ninguém estivesse com ninguém sem que lhe apetecesse estar. É preciso reinventar a família como uma comunidade multi-etária de compinchas livres e respeitadores. De modo a mais ninguém poder sujeitar os parentes encarcerados à sua opinião sobre a recandidatura de Mário Soares, ou descascar uma só laranja em frente do televisor, ou despir uma só peúga que fosse, ou cortar as unhas dos pés na presença de menores, ou dar impunemente, em plena sala de estar, no seio da família, um único e preguiçoso pum. E, em vez de pedir desculpa, sorrir e pedir que alguém lhe passe a TV Guia.»
Miguel Esteves Cardoso
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
A pele arde-me a cada instante.
Sempre gostei da água a escaldar. Mesmo que deixe manchas vermelhas na pele. E pouco tempo depois, as pontas dos dedos enrugadas. E a pele ainda a arder.
(Não só as imagens. Incendeiam-me demasiado as vozes e os cheiros. A tua voz. O teu cheiro.)
Arrepio de olhar. O vislumbre. A troca de olhares tem o peso de montanhas. Instantes demasiado brutais, uma força que me esmaga as entranhas. Consomes-me.
É tudo por hoje. (Foi tudo durante demasiado tempo.)
Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Terça-feira, Outubro 16, 2007
Segunda-feira, Setembro 03, 2007
Verdades diversas
E os teus espasmos psicológicos são claustrofobia (medo de te fechares dentro de ti própria) - a solidão palpita no trilho que escolhes e agarras-te à efemeridade dos teus momentos. Mas isolas-te por escolha, teimosa e orgulhosa, numa redoma que fazes questão de construir. Como te sei e como te compreendo.
Calcas a ferida e sabes como é insustentável o teu mundo platónico, a disparidade dos teus sonhos e do teu ser. Não ousas ser o que sonhas, escorrem-te as oportunidades das mãos e o ímpeto fecha-se no pensamento.
Talvez saibas que a sorte não está do teu lado, embora te esqueças que essa necessita de ser alimentada, que as tentativas não são em vão, que elas te agarram e libertam. Seguir em frente não é uma opção, impõe-se; no entanto, continuas a preferir viver de ilusões precárias, de vislumbres e sorrisos - são as tuas verdades múltiplas, o teu pequeno mundo de faz de conta.
As incertezas apunhalam-te, em pequenas convulsões; contudo, a tua morte é lenta. Escolherias a certeza definitiva, mas falta-te a coragem para a arrancares - it's better to burn out than to fade away - doeria menos.
E continuas a preferir não pensar. És quase feliz quando fechas os olhos e constróis a tua ilusão. Sofres mais, mas é mais fácil. Ser forte costuma custar mais e a tua cobardia alastra-se como cancro (será possível o cancro da alma?). Deitas-te nos teus lençóis de mentira (diversidade de verdade, que eufemismo!) e é quase perfeito. Tudo quase perfeito.
Quarta-feira, Agosto 15, 2007
You should never be afraid
That I was loved for who I am
And missed the opportunity
To be a better man»
Muse, Hoodoo
Quinta-feira, Junho 28, 2007
Quarta-feira, Junho 20, 2007
Palavras
«Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca,
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto,
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas, inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído,
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.»
Domingo, Abril 08, 2007
Sem Nenhum Título
Não temas a vida. Não tentes amordaçar as veias que sentes pulsar. Não adianta que te escondas, nunca ouviste falar em destino? Os cépticos chamam-lhe coincidências. (Que estranho. Eu chamo-lhe coincidências.)
Basta um passo em frente, e podes ganhar o teu mundo. Podes merecê-lo. Podes senti-lo, como algo indubitável. Podes cair e nunca mais te levantares.
Mas a chama extingue-se e perco a vontade. Acampamento de mim mesma, estendal de sofismas enredados. Escorrem os sonhos e os versos, caídos a meio caminho do Éden. Agrafadas as promessas por cumprir, calcadas as palavras e borradas de repetição e lágrimas. Páginas de não sentimentos, de orquídias por colher, de colares de contas, de acordes improvisados e decorados, de beijos e fotografias, de saudades e euforia, de cobertores de ternura, de chapéus de Sol e liberdade.
Faltam-te os goles largos do perigo, das fronteiras longínquas onde se desenha o sonho. Porque só no horizonte podemos concretizar o desejo. Ele reconstrói-se e dissimula-se, como a linha que vemos. Falta-te o brilho da insanidade, o impulso. Algo que te imobilize e te faça correr atrás.
Falta-me ele.Terça-feira, Março 27, 2007
Se me abraçares, não partas.
uma vez ao ombro do mar quer ser barco para sempre
e sonha com viagens na pele salgada das ondas.
Quando me abraças, pulsa nas minhas veias a convulsão
das marés e uma canção desprende-se da espiral dos búzios;
mas o meu sorriso tem o tamanho do medo de te perder,
porque o ar que respiras junto de mim é como um vento
a corrigir a rota do navio. Se partires, não me abraces -
o teu perfume preso à minha roupa é um lento veneno
nos dias sem ninguém - longe de ti, o corpo não faz
senão enumerar as próprias feridas (como a falésia conta
as embarcações perdidas nos gritos do mar); e o rosto
espia os espelhos à espera de que a dor desapareça.
Se me abraçares, não partas. »
Domingo, Março 11, 2007
Vai, que o mundo já não é teu
Pisaste-me os nervos e nem quis acreditar quando fechaste a porta. A tua mania de bateres sempre com a porta, de quereres sempre que a tua partida seja notada, sofrida, ruidosa. Será que ainda não descobriste que já não me consegues tocar, que os teus gritos são meros suspiros que se perdem a meio da vontade? E a tua essência perdeu-se em mim, um odor indiferente, uma voz sem timbre, sem agudos nem graves, palavras sem sentido, sem sentir, palavras como ruído que não me consegue trespassar.
Lava-me a alma. Ainda cheiro a noite e a água não consegue arrancar de mim o cansaço ou a dor. Despoja-me de culpa, arranca-me a indiferença, as vestes que sempre me cobriram. Proteger não é abafar. Acolher não é esconder, disfarçar.
E vai, que o mundo já não é teu. Já não há nada aqui que possas magoar ou prender. Amparar ou esconder. Podes bater com a porta, ou deixar a janela aberta. Sei que ainda te lembras de como tenho sempre frio e medo dos fantasmas, mas já não me importo. É hora de me mostrar forte por outro caminho, que este cheira a podre e não há nada que me possa salvar. Salva-te a ti mesma, dirias tu. Mas na impossibilidade de fugir, sei-me perdida em algo que nunca foi meu, aspiração ilusória de ser, de querer sentir. A simbiose inalienável de sentir e sofrer. Existência e dor. O pedaço que me falta. Envolver-me e partilhar.
Mas podes partir, que este já não é o teu mundo. Encontra algum que possas trespassar, que possas voltar a ferir. Um que possas salvar, mesmo que nunca o faças.
Terça-feira, Março 06, 2007
Dar-nos é a única maneira de viver.
Partilhar é sentir.
Partilhar implica mais do que uma parte.
E só agora é que isso me veio à cabeça.
Domingo, Fevereiro 04, 2007
Quarta-feira, Janeiro 31, 2007
Tentar
Quando o tempo nos deixa a sua marca, e perdemos tudo o que um dia chamámos nosso, o único consolo é ter tentado. O descanso da memória. Porque tentar é despirmos a culpa e sentirmos o prazer da liberdade. Deixarmos sentir o toque tão volátil do vazio, tão penetrante quanto frágil, tão intenso quanto ilusório. Ter tentado é mantermo-nos fiés à nossa essência, é cumprir com o que aspiramos ser, mais do que com o que somos realmente. A tentativa é a nudez menos constrangedora, mais reveladora. Nudez da alma quando já nem o orgulho nos consegue cobrir. É permanecermos puros, procurando o prazer pelos caminhos mais sórdidos, beijando a humilhação que nos fez o que nos tornámos. Nunca somos, tornamo-nos; é essa a premissa.
E eu despi-me perante a tua presença, na tentativa que tudo voltasse a fazer sentido de uma forma mais simples. Como poderia? Nunca fez, nunca deixaste, nunca acreditaste. Mas quando me percorreste o corpo ao som daquela chuva, diz-me, que estavas tu a tentar fazer?
Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
Sexta-feira, Janeiro 12, 2007
Não somos iguais a nós mesmos
Sábado, Dezembro 23, 2006
Nadas decompostos
Nunca quiseste acreditar e fizeste-me esquecer de tudo quanto um dia não fomos. Evaporam-se os sonhos e ainda me lembro quando contava os dias para o Natal... Tudo o resto pode desaparecer nas armadilhas da memória, mas isso há-de ficar. Um sorriso de verdade e a pureza (que agora me cái aos bocados como carne podre - e já nem sangro!)
Nunca foi completa, nunca o pôde ser, mas sempre foi demasiado ingénua. E cái a pureza, fica a ingenuidade nua e arranhada - agora, estupidez - que se transforma tão rapidamentes em algo um pouco (mais) cruel. Não é o ódio que borbulha nas entranhas já podres, mas um plácido sorriso de indiferença.
Perdemo-nos na neblina de mais uma alvorada. Porque nunca fomos de mãos dadas. Hábito de orgulho, se calhar era por isso que tínhamos sempre as mãos geladas... E por mais que decomponha todos os instantes, é difícil recordar-me de alguma coisa. Só de um sorriso, e sei bem que não era o meu. Mas lembro-me que contava os dias para o Natal e gostava de rondar a árvore para descobrir o que estava dentro dos embrulhos. Nunca cheguei a descobrir, nem aquele que tinha o papel rasgado na ponta. E um sorriso que não era o meu. Confundo os momentos, anos baralhados, mas disso tenho a certeza. Como tenho a certeza do teu sorriso, mas acho que já o disse...
E chegaram a falar-me de uma chama verde, verde de esperança, orgulhosamente acesa. E quis acreditar. A crença é a vontade. Mas todos esses pedacinhos de coisas nenhumas um dia hão-de juntar-se e fazer qualquer sentido. Por agora, ninguém disse que tinha de ter algum sentido, alguma razão de ser, razão de acontecer. Coicidências perfeitas. Acaso. Desiquilíbrio até à exaustão.
Mas tu sabes bem que existem tantos caminhos como linhas quebradas e que destino é uma palavra vazia. Mais uma ilusão. E só nos resta a esperança. Perdemo-nos na neblina de mais uma alvorada. Devíamos era aprender a sorrir com a alma.
Mesmo assim, ainda te peço que me ensines a dar as mãos.
Quinta-feira, Dezembro 07, 2006
Desarmoniosa sensação
são dois pares e meio de asas.
- Como quereis o equilíbrio?
Terça-feira, Dezembro 05, 2006
Sábado, Novembro 18, 2006
Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Sexta-feira, Outubro 27, 2006
Os Fantasmas

Mas ficou provado. Os fantasmas existem. Tu ainda existe, igual a ti mesmo. Igual aos tempos em que brincávamos com flores na cabeça e tu me contavas estórias de aventuras que eu não podia perceber. Estiveste lá, a fotografia do passado e da melancolia. O espelho de mim mesma, as alegrias borradas, as paixões salpicadas e sempre a solidão em plano de fundo. A mancha que não se contem, que abafa todos os brilhos e todas as tentativas de fuga.
E reflectiste tudo o que eu não queria saber. Porque é que me contaste as lágrimas e os silêncios? As fugas e as hesitações? (Não podias apenas ter falado das gargalhadas e das conversas? Da vida e dos raios de Sol? Mas respondeste-me que espelhavas o real, não as minhas mentiras, que só te cabia a verdade e que os raios eram demasiado pequenos e efémeros, como sempre o foram. )
Talvez tenha sido apenas uma brisa. Uma janela que se abriu e o vento que sussurou mais alto. Nestes dias de temporal a chuva também tem a mania de nos falar baixinho. Talvez tenha sido ela, num lampejo de gozo, dançando na ferida aberta. Ou quem sabe uma ilusão, dessas que nos fazem rir e chorar ao mesmo tempo, uma fúria desesperada, tentando agarrar a minha alma, tentando arrancar-lhe a lucidez da razão.
Mas mesmo assim, eu teria jurado que tinha encontrado o teu olhar por um instante.
Segunda-feira, Outubro 16, 2006
A Outra Carta
Era de noite e as ruas estavam cheias. Noites de Verão, cafés e um cheiro a festa no ar. Agitação e sempre uns copos a mais. Um dia como tantos outros e ainda não era muito tarde. E lá estavam eles os dois, a passear muito devagarinho. Era um casal, e já deviam ter os seus 70 e tal. Ela, agarrada a ele, baixa e curvada, num esforço a cada passo, mas sempre o mesmo sorriso. Ele, calvo e enrugado, tentando protegê-la e segurando-lhe o braço, como se pudesse travar a passagem do tempo. Tão unidos, na sua alegria passiva, caminhando para casa, gozando cada passeio, cada sorriso e cada palavra.
Seria amor o que os unia? Não sei. Talvez habituação, muita paciência e um pouco de carinho. Não será isso amor? Quem consegue desmenti-lo? (E se fosse o caso, talvez tivessem mesmo conseguido parar o tempo...)
Deslumbrei-me ao vê-los e não consegui deixar de pensar em nós. Teríamos conseguido sobreviver? Que seria da nossa paixão, da nossa loucura desmedida, dos risos e dos abraços, das nossas excentricidades ao 70 anos? Seriam paciência, habituação e simplesmente carinho? Seríamos amor?
Sonhei, um dia, que sim. Sim, eu cheguei a pensar em família, filhos e, até, em netos. O primeiro ia ser um rapaz, Gabriel, como o anjo, a rapariga Sara. Os outros nomes podias tu escolher (porque , sim, íamos ter uma verdadeira equipa de futebol). Oh, e nem me perguntes como fui imaginar isto tudo, mas recordei-me de tanta coisa quando vi aquele casal. Quis tanto que fosse o nosso futuro. Quis tanto que até doeu.
Não sei como fomos capazes de continuar, de nos ignorarmos, de sorrirmos placidamente. A ditadura das conveniências, dizem. Porque tudo se resume às aparências. Mas não consigo deixar de negar a aparência do brilho nos teus olhos, do riso branco e das frases suspiradas. Não podiam ser aparência, eram verdades. Eram o absoluto do real.
Realidade em bruto.
Dizem que os segredos mais escondidos são aqueles que nem nos atrevemos a contá-los a nós próprios. E é verdade. Todas as mentiras que eu contava, acreditava nelas, fazia parte delas. Mas, à medida que te escrevo esta carta surgem lapsos de feridas que saltam no caminho das minhas palavras, me estonteiam e me fazem descobrir o quanto falhei, mais do que a ti, a mim próprio. Os pensamentos que encontram o fio condutor, as mentiras que se desfazem e uma dor que me faz falta a crescer dentro de mim. E uma vontade cada vez maior de chorar (e foste a única por quem alguma vez chorei). E quantas vezes queria voltar atrás, tantos erros e segundos desperdiçados em que podia ter tentado mais uma vez. Mas a cobardia sempre esteve lá e tu sabias bem disso...
E quantas vidas, amores, dias e odores nos hão-de passar despercebidos? E amava-te, sim, em cada rumor dos teus passos e no mais efémero toque na tua pele. E até te confesso que aquelas canções lamechas (melodias repetidas, letras invertidas) me faziam sorrir estupidamente. Ritmos inquietos, alma acorrentada que, de qualquer forma, se conseguia espelhar numa voz nostálgica e longínqua (e sempre o acorde da guitarra a tocar mais fundo).
Porque os sonhos que me atormentam avivam-se e retocam-se durante o dia. São os momentos de um Inverno perdido que se aperfeiçoam com o tempo, cada vez mais distantes, cada vez mais melosos. Aquele frio tão quente que nos percorria o corpo num arrepio de ternura culminando nas mãos dadas ou noutro abraço. Nos beijos mais longos e na sintonia de mais um olhar. Era tudo tão perfeito, na mais pura simplicidade e nem sabes o quanto me arrependo de não o ter percebido mais cedo. Porquê esta mania do tempo tornar todas as recordações mais simples e perfeitas? Maldita ilusão que só nos faz desejar o passado... Maldita dor que só me faz querer o teu presente!
E escrevo, escrevo, não consigo deixar de escrever. Escrever como despejar sentimentos porque chorar turva-nos a vista e a razão e escrever ilucida-nos. Chorar dói no rancor de recordar, escrever é pura melancolia. Chorar entorpece, enfraquece-nos, escrever faz-nos cada vez mais fortes. Mas nenhuma força, nenhuma vontade poderiam quebrar a mágoa de te ter deixado partir, a culpa de termos seguido caminhos separados.
Quinta-feira, Outubro 12, 2006
Distância nas entrelinhas
- Mas ainda não te percas hoje. Faz sol lá fora, e eles dizem que há muito mais para viver.
«Dizes-me até amanhã
Que tem de ser que te vais
Porque amanhã sabes bem
É sempre longe demais»
«Have I run too far to get home?»
E a única coisa que me atrái é a mudança, só a mudança.
Terça-feira, Setembro 26, 2006
NovArte 2006

Áreas a exposição:
Os trabalhos a enviar estarão divididos em quatro categorias específicas:
* Pintura / Desenho
* Escultura
* Poesia
Condições gerais de participação:
Concorrentes
• Os participantes devem ter até 30 anos;
• Os participantes apenas poderão apresentar os trabalhos individualmente.
• Cada participante somente poderá entregar um trabalho por categoria. No caso de o autor entregar mais do que um trabalho, será aceite o considerado melhor pela Organização;
• Todos os trabalhos devem ser originais.
Responsabilidades e direitos de autor
• A associação Move-A-Mente será responsável pela organização e montagem da exposição dos trabalhos seleccionados.
• A associação Move-A-Mente não se responsabiliza por qualquer dano ou extravio causado durante a guarda ou apresentação pública dos trabalhos.
• A associação Move-A-Mente salvaguardará os direitos de autor dos trabalhos entregues à sua guarda durante a exposição dos mesmos, reservando-se, no entanto, ao seu uso para actividades posteriores, com o consentimento dos autores.
Envio e selecção dos trabalhos
O envio e selecção dos trabalhos serão desenvolvidos em duas fases. Numa primeira fase,
• Os autores deverão enviar os seus trabalhos até 20/10/2006, em suporte digital (fotografias, digitalizações, ficheiros de texto?) para o seguinte endereço de e-mail, a fim de ser efectuado o processo de selecção: novarte2006@gmail.com .
• Deverá também ser enviada uma ?ficha? com a identificação do autor, um texto com a descrição e apresentação da obra ou outros elementos considerados úteis para a compreensão da obra, ficha técnica da obra (título, ano de realização, técnicas e materiais e trabalho, dimensões e peso, método de impressão, manipulações efectuadas ? (adequar à natureza da obra).
Se passarem no processo de selecção, os autores serão então contactados pela associação, de modo a que possam enviar ou entregar os trabalhos fisicamente, para posterior exposição e a que seja decidida a forma efectiva da apresentação gráfica (disposição, relevo, cor e fonte da letra) dos trabalhos (no caso da poesia).
* Fotografia:
- O autor apenas pode entregar um trabalho original, constituído por uma ou mais fotografias, desde que o conjunto forme uma narrativa ou um todo indissociável. No caso de o autor entregar mais do que um trabalho, apenas o considerado melhor pela Organização será aceite.
- Serão aceites trabalhos em suporte digital ou tradicional
(película fotográfica) com tema livre.
- Os trabalhos deverão em impressão fotográfica com as dimensões mínimas de 20x30 cm (aproximadamente, A4), colados numa superfície rígida tipo k-mount ou k-line, ou devidamente emoldurados.
* Pintura e Desenho:
- O autor apenas pode entregar um trabalho original, constituído por um desenho. No caso de o autor entregar mais do que um trabalho, apenas o considerado melhor pela Organização será aceite.
- As técnicas/materiais usados no trabalho são livres.
- Os trabalhos deverão ser apresentados em suporte rígido de modo a permitir a sua afixação cuja dimensão se deverá encontrar entre os 50 por 40 e os 60 por 70 centímetros;
-
* Escultura:
- O autor apenas pode entregar um trabalho original, constituído por uma escultura. No caso de o autor entregar mais do que um trabalho, apenas o considerado melhor pela Organização será aceite
- Os materiais usados na elaboração dos trabalhos são livres.
- Pede-se que os trabalhos se encontrem numa dimensão entre os 60 por 30 por 20 (largura, altura e profundidade) centímetros;
* Poesia:
- O autor apenas pode entregar um trabalho original, constituído por um texto. No caso de o autor entregar mais do que um trabalho, apenas o considerado melhor pela Organização será aceite
- Os trabalhos devem conter um máximo de 200 palavras.
- Os trabalhos deverão ser apresentados em suporte rígido de modo a permitir a sua afixação. A apresentação gráfica do trabalho (decidida numa fase secundária da selecção) ficará ao critério do autor (fonte, disposição, relevo e cor da letra), desde que a mesma não contenha fotografias ou desenhos.
• A exposição dos trabalhos irá decorrer em data e local a anunciar.
• Findo o prazo da exposição, os trabalhos serão entregues aos autores.
A Mostra de Talentos Jovens NovArte 2006 está sobre a organização da Move-A-Mente. Para qualquer contacto ou esclarecimento de dúvidas, dirija-se à mesma pelo endereço electrónico novarte2006@gmail.com e info@move-a-mente.org .
Todas as situações não contempladas por este Regulamento, serão decidas caso a caso pela organização.
Terça-feira, Setembro 19, 2006
Sexta-feira, Setembro 15, 2006
Cansaço
Deixem o tempo descansar.
Quarta-feira, Setembro 06, 2006
Pingas de sonho
Se eu as pudesse agarrar, sentir. Se eu as soubesse viver.
As pingas de sonho desvanecem-se e evaporam-se no quotidiano.
Se eu as conseguisse prender, mantê-las para sempre assim.
As pingas de sonho chovem, alagam e tornam-se demasiado pesadas.
Se eu as alcançasse mais simples, mais finas, mais perfeitas.
As pingas de sonho aproximam-se e afastam-se, baloiçando sempre.
Se eu soubesse dar-lhes a harmonia do real.
E elas fogem, voam.
Se eu as pudesse tornar minhas.
Quarta-feira, Agosto 16, 2006
Pretéritos imperfeitos
De mais um início de Verão,
E eu nem tive tempo para me despedir.
Levaste as palavras rasgadas
Que um dia me prometeste.
Esqueceste, talvez, os instantes
De demasiados anos juntos
De demasiados prantos e risos
De demasiada vida amarrada.
Queimaste qualquer emoção
Toda a vontade, e todo o desejo
Na tua ânsia de fugires.
Lavaste-me a alma,
Mas deixaste-a molhada
(E sabes bem como eu morro de frio).
Desapareceste sem demora
Sem um último beijo meu
E nem soubeste o quanto me doeu.
*
Quarta-feira, Agosto 02, 2006
As Tuas Pinceladas
Que pincél era esse que eu nunca te via usar? E há pinturas que nos dão mais relevo, que nos ensinam a cada gesto e nos preparam para as cores finais. E há aquelas que estragam tudo. Destróem tudo o que estava escrito, borram a pintura, rasgam a tela e criam feridas que nenhumas imagens podem sobrepor.
Há manchas que nos marcam e escolhem, para sempre, a cor do nosso olhar. Que nos tocam tão fundo, que nenhuma camada consegue sobrepor. Gestos que se interiorizam, sorrisos tatuados, vozes imaculadas que nos dão o mundo (e fazem chorar). Cores e sombras que agarramos com toda a nossa alma e geometrias que nos são perfeitas.
Pinceladas que nos ensinam, outras que nos arrasam e aprendemos muito mais. Cores que nos fazem continuar e sorrir, outras que nos dóem para sermos felizes como nunca. Contornos que nos constroem e equilibram, outros que nos roubam a harmonia e nos fazem valer a pena.
Quinta-feira, Julho 27, 2006
Quarta-feira, Julho 19, 2006
Terça-feira, Julho 18, 2006
As bombas de napalm
Aqui na terra a fome continua
A miséria e o luto
A miséria e o luto e outra vez a fome
Acendemos cigarros em fogos de napalm
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizémos de ti a prova da riqueza.
Ou talvez da pobreza, e da fome outra vez.
E pusémos em ti nem eu sei que desejos
De mais alto que nós, de melhor e mais puro.
No jornal soletramos de olhos tensos
Maravilhas do espaço e de vertigem.
Salgados oceanos que circundam
Ilhas mortas de sede onde não chove.
Mas a terra, astronauta, é boa mesa
(E as bombas de napalm são brinquedos)
Onde come brincando só a fome
Só a fome, astronauta, só a fome.
José Saramago
Guernica, Pablo PicassoE quantas mais bombas? Quantos mais inocentes? Quantas vidas desperdiçadas?
Quantas crianças mortas, espalhadas pelo chão?
Até quando, a miséria, a fome?
(Para quando Velho do Restelo, para quando a tua apocalíptica profecia?)
Domingo, Julho 16, 2006
Em nome do Amor Puro
O que eu quero fazer é o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi parar a Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim?
Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia,são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem,tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides,borra-botas, matadores do romance, romanticidas.
Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o medo, o desequilíbrio, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A"vidinha" é uma convivência assassina.
O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente.
O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem.
Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Adoro este texto,
mas já não o lia há muito tempo.
After a while
The subtle difference between
Holding a hand and chaining a soul
And you learn that love doesn't mean leaning
And company doesn't always mean security.
And you begin to learn
That kisses aren't contracts
And presents aren't promises
And you begin to accept your defeats
With your head up and your eyes ahead
With the grace of a woman
Not the grief of a child
And you learn
To build all your roads on today
Because tomorrow's ground is
Too uncertain for plans
And futures have a way
Of falling down in mid flight
After a while you learn
That even sunshine burns if you get too much
So you plant your own garden
And decorate your own soul
Instead of waiting
For someone to bring you flowers
And you learn
That you really can endure
That you are really strong
And you really do have worth
And you learn and you learn
With every good bye you learn.
Veronica A. Shoffstall
Sábado, Julho 08, 2006
Quinta-feira, Julho 06, 2006
Brain: Wa(t)ch
E a democracia asmática, sufocada pelos gritos estridentes da intolerância e da hipocrisia que se enterlaçam no belo aparelho a cores. Que revolucionários xenófobos são estes? Que libertadores amedontrados? Que jornalistas parciais que lançam sempre o seu sorriso sarcástico, que reforçam sempre as «tais» palavras?
E novelas e mais novelas. Sempre as mesmas histórias, os mesmos filmes, que já nem vale a pena falar. O humor explosivo que acaba sempre por cansar. As meias verdades que precisam de ser ditas a bom tom, as mentiras encobertas, denunciadas e relativas. Em que é que se pode acreditar? As mesmas expressões em todo o lado que, de repente, entram na moda e ficam sempre bem dizer!
Sim, e o resto lá fora. Montra da realidade, vitrina suja, tudo o que parece ser. Porque nada é, tudo parece. A vida de frenesim, sem tempo para pensar. Será preciso? Agora, tudo nos é ditado pelo plasma panorâmico e afins. Não, não apenas as notícias, o que acontece fora dos nossos 100 metros de vida diária. Mais além. O que somos, o que pensamos, o que está certo e errado, o que devemos ser e condenar, o que usamos e os nossos belos supostos e pressupostos. (No outro dia, recebi a magnífica notícia de que a cannabis duplica as hipóteses de acidentes rodoviários, quando acompanhada de álcool. Olha, que novidade...! Porque não disseram antes que o álcool duplica as hipóteses de acidente quando já há neurónios a menos?)
E a alegria roubada, as ruas vazias, numa qualquer falta de ânimo ou vontade, iludida por um breve Mundial de entusiasmos desmedidos. E depois, o mesmo. O patriotismo forjado desaparece e, muito mais importante do que isso, evapora-se a alegria espontânea, o desejo incontrolado de celebrar a vida e viver, a empatia, o convívio. Para voltarmos aos nossos cubículos...
As cidades que já não são o que nunca foram, as aldeias tão transformadas, desertas e tão cheias de coisas alheias. A aldeia global e tudo cada vez mais perto, mas porque será que a maioria de nós nunca pôs os pés além da Espanha? Para já nem me estender para aqueles que - a cada s-e-g-u-n-d-o - morrem à fome em África ou na Índia...
E os direitos adquiridos que nos parecem arrancar a cada discurso - não só por cá! - em palavras que se perdem pela contenção e pelo défice. A união que parece não se fazer sentir, contradizendo os tão bem intencionados livros de História. Que história? His story? Quem, que se perdeu?
Mas, tudo envolto numa bolha espelhada. Sempre nos vimos apenas a nós próprios. Deformados e indiferentes.
Domingo, Julho 02, 2006
Domingo, Junho 18, 2006
Segunda-feira, Junho 12, 2006
Qualquer coisa
Num lampejo, sem pudor
Contaste os meus segredos
Incontido, em desatino.
Folheaste cada nervo
Acordaste cada sonho
Banhaste em ternura
A doçura do meu desejo.
E partiste, sem remorso
Deixando apenas flores
Na despedida mais esperada.
E são palavras, o que guardo:
Tudo aquilo que me ofereceste,
Tudo aquilo com que sonhei.
*
Segunda-feira, Maio 29, 2006
Já nem sei
Temos tudo. Tínhamos tudo. Tudo para alcançar o que é que quer que aspirássemos. Podíamos elevar-nos ao nosso paraíso, tínhamos Olimpo mesmo ali ao lado. Mas perdemos os sonhos, deixámos de querer, tornámo-nos isto. Não. Mudámos, apenas, os nossos desejos. Aspiramos, ainda, e tanto. Ao podre. Desfigurámos os valores, as ideias. (Mas que valores? O que é certo? Pode ser isto o certo? Não pode...não pode... Não pode ser isto a evolução. Que evolução? O que é evolução? Diz-me, o que é realmente certo? Isto...não pode!)
Sujámos tudo. Chapinhamos no lodo, os filhos da tecnologia. Filhos do progresso e com toda a informação (mas que evolução?) Ensinados pela História, treinados pela Matemática. A juventude prodígio: só esgoto e um cheiro a catástrofe no ar (catástrofe mental!)... Estagnação, estagnação. Regresão, regressão. A indiferença que se entranha no sangue e nos nervos e em cada orgão. E até nos bonitos fios de cabelo! A podridão intolerante que nos trespassa a cada olhar, os preconceitos tão inequivocamente postos de lado, que mancham as roupas a cheirar a suor (serão lágrimas? Mas, se tingires fica bem!)
Raios (banhos!) de hipocrisia, culpados, todos! (E ninguém...) Influências e modas. Ovelhas: também nos pensamentos e nas ideias e nos valores. E nos nossos felizes comportamentos. Cadáveres vivos que se arrastam e nem sentem (diz-me, o que é sentir?). Não, sentem. Tudo igual. Standard Emotion. Exércitos de poeira, apagada em menos de nada. Apatia. Ou empatia por outra coisa qualquer. E é qualquer coisa que não pode estar bem (bem?!), qualquer coisa ao contrário, que não bate certo (ou sou só eu?)
E não é nada...não somos nada. Encarnação da desilusão. Indícios de algum fim que teima em se atrasar. E onde ficou o desabafo que teimaste em não berrar? Nem sequer o suspiraste... Passado esquecido, futuro ignorado. Presente... gasto. Gasto de palavras imundas que teimamos em escrever. Mas para que é que escrevo?
Diz-me se vale realmente a pena...
(Porque eu nunca vali a pena.)
Terça-feira, Maio 23, 2006
Quarta-feira, Maio 10, 2006
Mais nada.

O canto dos pássaros ao longe. O céu azul, o Sol forte. A brisa esperando o nosso apelo no nada. As cores difusas que se misturam, em desiquilíbrio constante, manchas perpétuas, agarradas ao nosso horizonte. Palavras queimadas na escuridão do quarto mais escondido. Ruídos frustrados, odores indefinidos que cortam o ar. Não.
O canto dos pássaros ao longe. Tão longe. A praia. A água salgada que purifica qualquer olhar menos pensado. A areia que se enlaça, foge e corre, dançando em palmeiras que sempre estiveram aí. A nogueira que nasceu no teu jardim. A sombra fresca, o refúgio de todos os amantes perdidos. Uma núvem tímida que se aproxima a medo. Vozes que nos fogem, que nunca conseguimos entender. E as molduras caladas, de sorrisos tão distantes, que nunca foram verdadeiros. E canções apagadas, perdidas. Não!
Hoje, só o canto dos pássaros ao longe. Só areais e céus azuis. Odores perfumados e mares imensos. (Tão grandes que eu me possa perder para sempre.) Uma menina de saia rodada amarela, rodopiando e rindo. Um pôr-do-sol mais quente e uma lua cheia. Nada mais.
(Porque hoje não posso pensar em mais nada. O que quer que fosse que pensasse, diria sempre demasiado.)
Domingo, Maio 07, 2006
Conversas
- Tens razão.
- Não, não tenho. Ninguém tem. Porque somos desatino, pensamentos que nos abalam. Somos memória e esquecimento. Somos o desejo do infinito e o desalento. Não posso ter razão. Razão não é nada, palavra oca que assombra o nosso sono sem alento. Somos os sonhos que não ousámos realizar e os pesadelos que concretizámos. Somos insónia e risos. As lágrimas da ironia. Somos a vida que não poderemos nunca entender. Somos os odores, as cores e os instantes perfeitos. Olhares de atrevimento e timidez recíproca. Somos o silêncio e as palavras. Somos o barulho que nunca conseguiremos abafar. A luz que ofusca sem brilhar. Somos páginas de vazio, rios de momentos perdidos. Temos a unidade e tudo o que nos separa. Protegemo-nos tanto para nos deixarmos magoar e dormimos em cima do remorso. Somos dor e sempre esperança, sempre desespero. Algodão doce, tão amargo, carrossel despedaçado, músicas de infância. Loucura, mudança, e sempre os mesmos. E não podemos ser nada, mas acabaremos em tudo.
- Somos a emoção fluída. Tens toda a razão, não tens razão nenhuma.
Quinta-feira, Abril 27, 2006
Ego Ísmo
(Oh, egoísmo!)
Terça-feira, Abril 25, 2006
Sábado, Abril 22, 2006
- Porquê?
- Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que lhe são inerentes, ou de se inflamar com as suas próprias paixões. As virtudes não lhe são reais. Os seus pecados - se é que os pecados existem - são emprestados. Tal pessoa passa a ser o eco da música de outrem, o actor de um papel que não foi escrito para si. O objectivo da vida é o nosso desenvolvimento pessoal. Compreender perfeitamente a nossa natureza - é para isso que estamos cá neste mundo. Hoje as pessoas temem-se a si próprias. Esqueceram o mais nobre dos deveres: o dever que cada um tem para consigo mesmo. É certo que não deixam de ser caritativos. Dão de comer aos que têm fome e vestem os pobres. Mas as suas almas andam famintas e nuas. A coragem desapareceu da nossa raça. Ou talvez nunca a tivéssemos tido. O temor da sociedade, que é a base da moral, o temor de Deus, que é o segredo da religião - eis as duas coisas que nos governam. (...) Mas o mais ousado de todos nós teme-se a si mesmo. O selvagem mutilado que nós somos sobrevive tragicamente na auto-rejeição que frustra as nossas vidas. Somos punidos pelas nossas rejeições. Todo o impulso que esforçadamente asfixiamos fica a fermentar no nosso espírito, e envenena-nos. O corpo peca uma vez, e mais não precisa, pois a acção é um processo de purificação. E nada fica, a não ser a lembrança de um prazer, ou o luxo de um pesar. Ceder a uma tentação é a única maneira de nos libertarmos dela. Se lhe resistirmos, a alma enlanguesce, adoece com as saudades de tudo o que a si mesma proíbe, e de desejo por tudo o que as suas leis monstruosas converteram em monstruosidade e ilegalidade. Diz-se que as grandes realizações deste mundo ocorrem no cérebro. É também no cérebro, e só aí, que ocorrem os grandes erros do mundo. »
Sexta-feira, Março 31, 2006
Quarta-feira, Março 29, 2006
(E diz-me o que é conformidade e conformismo, liberdade e libertinagem...)
Segunda-feira, Março 20, 2006
Terça-feira, Março 07, 2006
Gestos que nos dóem
Quantas vezes nos consentimos iludir para podermos desviar para caminhos perdidos as nossas angústias? Doamos ao vento as tristezas que não nos podem pertencer, e esperamos, do mais fundo da nossa alma, que a brisa leve, também, os desejos pisados que guardamos a sete chaves. E cerramos os lábios com medo que nos fujam as palavras que sempre ansiámos confessar.
Mas há gestos que nos fazem lembrar de nós próprios. Que nos fazem lembrar, ainda, de quem já não somos, e não podemos voltar a ser. Que não nos deixam esquecer os sonhos incontidos que tentamos desfazer em pétalas secas. Calcam na ferida e deitam por terra qualquer lampejo de força, fazem-nos pensar naquilo que já tínhamos desistido, e, contra a nossa vontade, reacendem o fogo verde da esperança desmedida (que acaba sempre por queimar...). Gestos que anseio, que temo.
E sabe-se o que se segue. Um toque tão leve e profundo, um raio de sol num cravo vermelho e lágrimas, num ritual de libertação e acorrentamento que se há-de repetir infinitamente até que tudo seque e não reste mais nada. O alívio do esquecimento, do longínquo e o desfocar do pensamento. Mais nada. Mas, até lá, a chuva há-de cair cem mil vezes, e, por isso, há gestos que doem.
Quinta-feira, Fevereiro 23, 2006
1º - Faço caretas sem me aperceber. Epá, se calhar é mais um tique, mas não intressa. Às vezes quando tou sozinha começo a fazer caretas sem sequer notar, depois chega alguém e pergunta «Di? Qué isso?» ou então ficam simplesmente com cara de parvos a olhar, à espera que eu repare. Eu diria: medo.
2º - Faço barquinhos em tudo o que seja maleável. Papel, plástico, cartão. Qualquer coisa que apanhe e seja minimamente rectangular começo a fazer barquinhos: são os papéis dos rebuçados, guardanapos do McDonald's, restos de folhas, tudo!
3º- Bem, quanto às manias com roupa, não posso dormir de meias: é impossível. Faça o frio que fizer, que neve, não importa. Temperatura negativa? Quero lá saber! Eu simplesmente não posso dormir de meias. =X Ah..e depois há aquela coisa que mal chego a casa dispo-me logo pra vestir o pijama... É que não consigo estar em casa com a roupa do dia-a-dia! Seja Inverno ou Verão... não dá!
4º - Vou seleccionando tudo enquanto vou lendo no pc. Essa é sempre. Até me parece que nem consigo perceber o que tou a ler se não tiver a selecionar. Sejam blogs, páginas da internet, textos word... qualquer coisa (menos msn...) tenho sempre que ir seleccionando!
5º - Não posso ter relógios mecânicos! É paranóia mesmo, mas não posso! Sejam de pulso, ou despertador... Não dá! Os de pulso não consigo usá-los mais que um dia... porque até me fazem confusão durante o dia... eu estou sempre a ouvi-los! Então no quarto... Já parti relógios de cabeceira porque não aguentava o tic tac! E nem os de pulso podem ficar em cima da secretária porque não consigo dormir e tenho que me levantar, depois de andar horas a remoer, pra ir enfiá-lo dentro de uma meia, dentro duma gaveta (porque a gaveta só não basta!) ou então vou pô-lo na sala, ou na entrada, ou noutro sítio qualquer longe do meu quarto... Eu oiço tudo!
(Ok..estes lembrei-me agora e basta.. se se lembrarem de mais algum não se acanhem! =X )
*
Sábado, Fevereiro 11, 2006
Sentir
Consegues distinguir? Consegues sentir?
Inércia, indiferença, apatia. Quando te esforças por tocar no ar quente, quando tentas sentir todos os aromas, todas as cores, todos os sons. Queres correr, sentir o vento percorrer o teu corpo, mas não consegues sair do mesmo sítio. Os nadas que te prendem, ou o nada que não te consegue prender. Emoções falhadas, abismos de coisa nenhuma, vapores que dançam à tua volta, mudos, no seu mundo perfeito. Apatia de sentimentos, almas que rodopiam e caem no mesmo círculo, sempre felizes. Pétalas caídas, sem aroma, luas de amor, luzes e fascinação. Vida.
E tudo sem sentido nenhum. Viver. Sentir.
Encurralada, talvez, numa dessas grutas onde costumavas guardar as memórias longínquas de tudo quanto te fazia sorrir. Sim, aquela coroa de flores. E...e, que mais? Risos efémeros que passaram, memórias de algum não sentimento de hoje. Tentativas desesperadas de seres outra alma, de fazer tudo de maneira diferente, de sentir de outra maneira. Convicções de que eras, de que chegaste a ser. Mentiras em que acreditas, que não consegues mudar aquilo que és. Melodias que nasceram contigo, cores que sempre foram as tuas. E vidas separadas, mudanças repentinas que te embarcam as entrelinhas das palavras. Arrepios de emoções (só arrepios) que te percorrem o corpo, fogem por entre os dedos e se dissipam no calor que faz lá fora. Pequenos instantes que morrem no tempo, na lembrança ferida que trazes contigo. Acordes perfeitos, demasiado breves, que voam ao vento, numa tentativa falhada de se tornarem eternos.
(Mas eu tentei. Eu tentei tanto.)
Sexta-feira, Fevereiro 03, 2006
Quinta-feira, Fevereiro 02, 2006
Trocar de Olhares
Mas e o trocar de olhares? Por um instante, voas mais alto, entras dentro da alma, conheces cada recanto, procurando cada alegria passageira, cada ferida, cada cicatriz. Sabes sequer o meu nome? Não, não sabes. Nem nunca vais saber. Já passaste e o instante perfeito desvaneceu-se, perdido, levado para longe por alguma brisa que se levantou quando abriste a porta e saíste, com tanta pressa quanto entraste. Segundos perfeitos e conseguiste ler tudo o que eu tinha a dizer...
Mais vale assim.
Mais vale não saberes sequer o meu nome. Porque o resto é mentira. São palavras sem nexo, gestos embaraçados e pensamentos reais. Assim é melhor. O sentimento, a verdade, nenhuma palavra que consiga estragar o instante. Ilusão na sua forma mais fluida, no seu gesto menos dorido.
Porque me conheceste, e se chegasses a saber o meu nome, nunca me chegarias a conhecer por completo. Deixarias de ler nos meus olhos, e passarias a ouvir o que digo, a reparar nos meus gestos. E seriam tudo mentiras. Porque eu não iria ser eu. Seria eu mais tu. O meu eu acostumado ao teu, calcado no real, transformado, perdida a essência.
Deixa estar assim.
Foi um olhar, um instante perfeito que se há-de prolongar para além do tempo, longe do real, de qualquer coisa que possa provocar a desilusão, a dor. E fomos completos, pois. Eu conheci-te totalmente e tu a mim.
Porque conhecer-te é perder-te, que não posso conhecer mais que um reflexo de ser.
Porque conhecer-se é nada conhecer, e tudo sentir.
Percebes?
(Mas não quero que percebas. Sente só. E tudo fica mais belo.)
Quarta-feira, Janeiro 25, 2006
Voltar
Recordações salpicadas de vermelho, a dor de lembrar, de não poder esquecer. O sentir do pulsar das veias. Dormente.
(Põe a música mais alta, talvez ajude.)
Não. Há outra voz que grita. Pensares que aparecem como flashes. O nervoso e o tremer. O olhar baixo, uns suores ainda. O abanar de cabeça. Porque é que estas imagens não saltam para o esquecimento?
E o som não anestesia. Puxar de cabelos. Arranhar de peles. Sofocos de vozes. Choros contidos.
(Mas, o quê?)
Remorsos. Vidas passadas, vidas futuras, recordações que palpitam, sem nexo sequer. Um nó qualquer na garganta, voltas ao estomago e tudo desde o princípio. Segundos que pesam anos, loucuras da mente, que teima em perder-se por esses lugares desconhecidos.
Arrependimento. O querer voltar atrás. Fazer tudo de novo. Sentir como se fosse a primeira vez. (Porque esta primavera é sempre a mesma e cansa). Olhar tudo como na infância (e ser criança). Sorrir como quem é feliz, chorar como quem desabafa. Retroceder para além de tudo o que já vi. Ser outra qualquer. Remorsos.
(E porquê? Que fizeste tu para te arrependeres tanto?)
Nada.
(E foi mais um daqueles silêncios que nunca nenhuma palavra poderá explicar.)
Sábado, Janeiro 14, 2006
Quinta-feira, Janeiro 12, 2006
A Ti
Lembras-te quando passeávamos juntos à beira mar? Seguidos de mais algumas dezenas de casais abraçados, outras dezenas vindo na nossa direcção. Lembras-te? Éramos apenas mais uns jovens apaixonados no meio da multidão, tentando parecer únicos no nosso amor, de alguma forma especiais, como se aquele amor nunca fosse acabar e se prolongasse para além da nossa morte. E caminhávamos sem destino, ríamos e brincávamos na nossa infância do amor, sem pensar em mais nada.
Será que ainda te lembras? Chegaste a acreditar quando te disse que te amava? Era verdade. Era tudo verdade, sabes? Não, não menti. Não sei se chegaste a perceber o que te dizia. Nem sei sequer se queria que o percebesses, mas vou tentar dizer-to por palavras escritas, já que dizê-las é muito mais difícil.
Às vezes uma rapariga tem medo. Não sei se alguma vez chegaste a sentir o mesmo, talvez nunca chegaste a gostar de mim o suficiente para o sentir. Mas eu tinha medo. Tanto medo. Eu amava-te e, às vezes, não sabia como o demonstrar, não sabia sequer se o queria demonstrar (na verdade, na altura acho que nem tinha uma ideia clara do que sentia porque, afinal, só damos pela falta das coisas quando é tarde demais, não é?). Mas eu tinha medo. De te perder, de não fazer as coisas certas, de que não gostasses de mim realmente. Eu sei, fui parva. Como pude não ver o brilho que ostentavas quando me vias descer a tua rua naquelas tardes frias de Janeiro? Como pude pensar que era falso o sorriso que emanavas quando íamos, bem devagarinho, para o parque desviando-nos daquelas poças claras, esbatidas pelo Sol? Pois, sabes como eu sou. Nunca fui lá muito segura, e sempre casmurra, a teimar que talvez fosse tudo uma ilusão, tremendo só de pensar na possibilidade de me largares da mão e me deixares ir, assim, sozinha para o parque.
E estraguei tudo. Não corri. Não te agarrei. Não gritei. Não chorei até que a minha alma pudesse escoar-se para alguma dessas poças onde costumavamos espelhar a nossa felicidade. Não. Eu não fiz nada e tu pudeste ir, sem sequer olhar para trás.
Será que não viste, também? Não sentiste como a minha mão tremia, quando a tua se aproximava para a tocar levemente? Não viste? A minha felicidade tão simples quando me ofereceste aquela flor que tinhas arrancado do parque? Ainda lá está, no meio daquele livro que nunca cheguei a acabar de ler. (Também não deixavas, pois não?) E, depois, desmanchaste um botão em flor, espalhaste as pétalas pela brisa que trazia a essência saudosa do mar (eram, talvez, restos de asas de algum anjo que voou alto de mais, perdendo-se no âmago do sonho). Mesmo aí, não viste como era completa quando te comtemplava? Pegavas-me na mão, levavas-me pela alma, e corríamos, rindo, na demência mais feliz dos loucos, por entre as árvores que nos acolhiam. E deitávamo-nos na relva, sonhando com o Sol de Verão, maldizendo tudo o que se relacionasse com aquele Janeiro gelado (quantas vezes não fiquei eu cheia de água de orvalho, que nunca chegava a secar no chão?). E as frieiras, as camisolas de lã, os cascóis que se perdiam sempre, os chapéus-de-chuva que eu nunca usava, as molhas e os risos, as manhãs e o sono, as constipações, o cieiro. Mas tudo fluia na mais perfeita harmonia, aqueles eram os nossos dias e nada os poderia ter tornado melhores. Éramos nós. Se não fosse aquela molha no caminho para casa, como poderíamos ter criado aquelas fantásticas teorias sobre a perspectiva nas gotas de água e os reflexos do ser humano? Não viste que eras tudo? Não viste que eras mesmo a outra metade? Talvez se eu te tivesse dado um daqueles ursos foleiros com um coração a dizer «Preciso de Ti» me tivesses achado mais credível. Mas, que parva, pensei que aqueles momentos valessem por uns 1000 ursos...
E será que me consegues perdoar? Assim, só um bocadinho. Perdoar-me por tudo o que fiz, pelo que não fiz e por tudo o resto? Podemos começar tudo de novo. Eu explico-te outra vez como sou complicada, insegura e teimosa e tu ensinas-me outra vez a respirar ok? Porque te amo. Sim, a sério. Podes usar a carta como prova e tudo. E se eu disser que não a escrevi, não ligues. Sabes como sou orgulhosa e como me arrependo facilmente (até daquilo que nunca me deveria arrepender...) Perdoas? Perdoa-me, por favor, porque eu já te perdoei há muito tempo.
(E até esqueço o dia em que te foste embora,
sem sequer olhar uma única vez para trás.)
Sábado, Dezembro 24, 2005
Reflexos de Nada
Assim, frases, carentes de nexo, de vida, de algum sentimento que não a inércia, o desejo de continuidade. Sem qualquer emoção, como aqueles olhos que espelham algo que não é dor, não é alegria, não é qualquer sentimento que não o vazio. Reflexos de nada, luzes que cegam para além da visão, que confundem e enlouquecem, fazendo aspirar, finalmente, ao infinito, a algo que se encontre mais além, que seja mais real que apenas palavras soltas, escritas ao vento de algum Inverno perdido, que nunca ninguém quis recordar, esquecido, no inconsciente. Mais real que isto que agora sou, que hoje sinto e sei que amanhã vou esquecer. Assim, olhares soltos, pensamentos desprendidos, desprovidos de qualquer sentido, que descem mais baixo procurando o verdadeiro eu que, afinal não é aí que se encontra, mas nalgum lugar que já ninguém conhece, assim como o Inverno que se perdeu, o pensamento que se deslocou, a alma que voou mais alto, tão alto que a vida não a pode alcançar, tal como um balão de ar quente que foge à realidade, se cruza nas nuvens e voa, por fim, para a luz eterna, que cega, que acorda, que atormenta e dá vida.
São pois, pensares e dizeres que nada transmitem. Sem emoções, sem sentimentos, sem qualquer lampejo que permita descobrir que língua fala o meu olhar, que alma (?) se esconde detrás do corpo moribundo que vagueia dia após dia, nos sítios do costume, com aquele sorriso do costume.
Quarta-feira, Dezembro 21, 2005
Embriagada

E escondes-te na noite.
Foges embriagada,
Cansada, desesperada.
Corres pelos becos,
Vagueias nos passeios,
Procuras um consolo
Na noite densa.
Esperas pelo descanso
Até que o dia nasça
Até que possas ver o Sol de novo.
Sem pudor gritas na rua.
Gritas por tudo quanto te faz sofrer
Gritas porque ainda dói
Gritas porque não consegues esquecer.
E ris sem parar,
Gargalhadas tristes,
Um latido de melancolia,
Que depressa se torna em pranto.
Choras, mas não desaparece
Magoas-te, mas a outra dor é maior
Calas-te, finalmente,
Mas este silêncio dói mais que quaisquer palavras.
Enfim, encostas a cabeça.
Lembras-te, então,
Que daqui a três/quatro horas o Sol nasce.
§
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
Não... não vou por aí...
Cântico Negro
"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Ha, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os bracos,
E nunca vou por ali...
A minha glória e esta:
Criar desumanidade!
Nao acompanhar ninguem.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mae
Nao, nao vou por ai! So vou por onde
Me levam meus proprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vos responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por ai...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus proprios pes na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstaculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avos,
E vos amais o que e facil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes patria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filosofos, e sabios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e canticos nos lábios...
Deus e o Diabo e que guiam, mais ninguem.
Todos tiveram pai, todos tiveram mae;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que ha entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguem me de piedosas intenções!
Ninguem me peça definições!
Ninguem me diga: "vem por aqui"!
A minha vida e um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um atomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por ai!
/
José Régio
Terça-feira, Julho 26, 2005
Shhh...
Não contes porque morri
Não digas a verdade
Nunca digas que houve um nós.
Cobre-me para que ninguém veja
Um lágrima fria escorrer-me no rosto
Não digas que foi por ti que morri
Não digas que foi por ti que chorei todas as noites
Não digas que foi por ti que dias e dias me calava.
Não.
Não deixes que ninguém saiba de nós.
Diz apenas que morri,
Que estava cansada de viver,
Que não suportava mais,
Mas não digas que não suportava a tua ausência.
Não contes como me lembro do dia em que nos conhecemos
Não reveles que recordo cada momento com um sorriso
Não digas como me irritavas
Não digas como te amava.
Diz apenas que adoeci e morri
Que estava pálida pelos ares
Que chorava pelo tempo.
Mas não digas que era o tempo em que não te via.
E não me toques mais uma vez,
Deixa que a saudade me domine até ao fim.
E quando morrer,
Não digas a ninguém que foi por ti.
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